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Abaixo-assinado conta a privatização dos bondes de Santa Teresa


Categoria: AMAST em ação  
04 de setembro de 2007

A AMAST está passando um abaixo-assinado contra a privatização do sistema de bondes. Já colhemos 1.700 assinaturas. O documento será encaminhado às autoridades do governo estadual. Conheça o texto:

O bonde é o meio de transporte do bairro de Santa Teresa, adequado às nossas ladeiras, cultural e ecológico

Desde o começo dos anos 1970, lutamos pela qualidade do sistema de bondes. Por duas vezes impedimos a extinção dos bondes, fruto da luta de moradores e trabalhadores. Em 2004, o governo assinou, com o Banco Mundial, um contrato de R$ 22 milhões para reformar o sistema de bondes de Santa Teresa. O acordo previa um serviço completo de restauração dos bondes. Agora, dizem que o dinheiro vai acabar antes da conclusão da obra.

A obra em curso é cara e malfeita. O atraso é interminável e não se sabe quando findará. Levaram os bondes para Três Rios para consertar e não os trouxeram de volta. Os 14 bondes novos vão custar R$ 14 milhões. Disseram que aprontavam tudo até o ano passado e nem um bonde foi entregue até hoje. Dizem que os bondes novos vão servir aos turistas e que os cidadãos cariocas vão ter que se contentar com apenas alguns bondes.

Mais uma vez, os moradores de Santa Teresa, abaixo-assinados, organizados na AMAST, vêm a público exigir respeito aos direitos coletivos e aos costumes do bairro onde moramos. Vimos afirmar nossas convicções e exigir:
· a volta imediata dos 14 bondes restaurados;
· obra de qualidade em toda via permanente;
· reforma completa na rede aérea, na garagem e oficina;
· formação de uma empresa pública para gerir com eficiência e visão social o nosso mais importante meio de transporte;
· não à privatização ? o bonde não é equipamento turístico, os visitantes são bem-vindos, mas destinação turística é exclusão social;
· todas as gratuidades devem funcionar integralmente no bonde;
· o horário de funcionamento deve ser das 5h às 24h com intervalo máximo entre as viagens de 10 minutos;
· sistema de integração do bonde com outros modais de transporte para toda a cidade com tíquete único.

Municipalização, sim ou não?

Por causa dos problemas constantes com o bonde, temos ouvido a proposta de municipalização do sistema dos bonde. Seria esta a solução? Trocar o governador pelo prefeito?
É certo que o governo estadual fez pouco pelo bonde desde 1999 após a saída do diretor Bernardo Stille, que deixou 10 bondes reformados. É certo que a Central, que também fiscaliza os trens suburbanos, acumula muitos problemas e pode ser um erro misturar a crise da ferrovia com o nosso bonde. Tentam nos convencer de que o Estado não tem a responsabilidade de transportar o povo em trajetos urbanos. Assim, o certo seria entregar ao município. Então, talvez seja o caso de municipalizar o metrô e o ramal de trens de Santa Cruz. Ambos resumem-se aos limites da cidade.

A AMAST entende que o bonde precisa de uma administração pública com autonomia orçamentária, associada a uma estrutura logística com experiência ferroviária, pautada pelo interesse público de forma a garantir o transporte por bonde com qualidade e respeito aos direitos coletivos, às gratuidades de crianças, estudantes, idosos e portadores de necessidades especiais.

A prefeitura é péssima administradora. Os ônibus, que prestam péssimo serviço à população, são (des)controlados pelo prefeito. A iluminação pública é municipal e as ruas de Santa Teresa estão sempre com grandes trechos às escuras. Os pavimentos das nossas ruas estão esburacados com paralelos soltos e, quando chove forte, é um desastre. O prefeito não cuida do patrimônio ambiental e do casario histórico. Será que, com o bonde, o administrador municipal fará diferente?

Acreditamos que não! A conclusão a que chegamos é que o melhor para o bonde é que a AMAST lute por uma nova forma de gestão pública no âmbito do governo estadual. A AMAST entende que os usuários e a sociedade civil devem participar desta nova administração dos bondes para fiscalizar a gestão e a aplicação dos recursos.

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