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O caos da privatização


Categoria: Mensagens da Diretoria  
06 de maio de 2009

 

Os debates sobre a privatização do sistema de bondes ganharam elementos significativos esses dias. O tumulto na estação das barcas na Praça XV no início de abril trouxe à tona mais uma vez as mazelas da privatização. Usuários cansados da má qualidade do transporte e da falta de respeito ao seu direito básico a este serviço público essencial acabaram explodindo.

Este não é o melhor caminho, mas foi a maneira de dar visibilidade a um problema que se arrasta desde a privatização das barcas. Os investimentos necessários não são feitos, o governo estadual não exige o cumprimento da regras e os dois lados (governo e concessionária) vão “empurrando com a barriga”.

Quem defende a privatização, argumenta que o Estado não tem capacidade de gestão e, além disso, deve direcionar seus recursos para outros fins. Pois é, onde está a capacidade de gestão da concessionária Barcas S/A? Onde estão os investimentos necessários à oferta de um transporte de qualidade à população? E quem acode quando os problemas se agravam, como agora? O Estado, claro, com recursos do BNDES. Que privatização é essa na qual a iniciativa privada embolsa os lucros e vem de pires na mão, buscar dinheiro público, para realizar os investimentos?

A proposta de privatização dos bondes de Santa Teresa deve incluir essa perspectiva. A comunidade deve ser ouvida. O governo estadual não tem o direito de decidir sobre a privatização em gabinetes refrigerados sem trazer a discussão a público. Pois, justamente, é o público que usa o transporte público. Suas Excelências, como sabemos, usam veículos particulares blindados e com isofilme.

Metrô S/A e Supervia disputam com Barcas S/A
o pior lugar na prestação de serviços

Em termos de problemas, o metrô do Rio não fica atrás. Privatizado, piorou. Os usuários sabem muito bem o que significa ter que usar esse meio de transporte nos horários de pico. É um absurdo que as pessoas tenham que disputar a entrada no vagão. E isso seguirá assim até que haja um acidente. Será paranóia ou é possível imaginar que um dos passageiros posicionados bem à frente para entrar no trem possa cair sobre os trilhos na movimentação da massa humana que vem atrás?

E a fumaça na estação da Praça Saens Pena, na Tijuca, na última semana de abril? Não é um sinal de alerta de que há problemas? A concessionária deu uma explicação rasa e parece ter ficado por isso mesmo.

Cadê os investimentos? Cadê o Estado que não fiscaliza? Aliás, a única coisa que se sabe é para onde vão os lucros. Sobre o resto, parece valer o ditado popular: ?Pergunte ao Abreu. Se ele não souber, nem eu!?

Supervia, super truculência, super
incompetência, super descaso

A concessionária Supervia, que administra o sistema de trens suburbanos e interurbanos do Rio, é superlativa em tudo, menos na eficiência. Quem viaja, sabe. O marketing dos trens com ar condicionado não resiste a um confronto com a realidade, com o dia a dia dos usuários dos trens da Central do Brasil.

As acomodações são precárias, desconfortáveis. Quem viaja sentado tem que se espremer em bancos duros e dispostos ao comprido. Quem viaja em pé, que se vire como puder. Nos horários de pico é um Deus nos acuda e olhe lá.

Pior que isso, os acidentes sucedidos de denúncias de má conservação das composições e a situação de insegurança a que estão submetidos os usuários. Guardas ferroviários que, teoricamente, estão nos trens e nas estações para protegê-los, são flagrados agredindo. Não há desculpa para tal descalabro, mas, parece que as autoridades de plantão aceitam as desculpas.

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