Qual o papel da PM nas ruas da cidade?
Categoria: Mensagens da Diretoria
21 de fevereiro de 2010
a
* Juçara Braga
Com certeza, a Polícia Militar tem um código de conduta no qual devem estar estabelecidos os limites de suas funções nas ruas da cidade. Há, entretanto, controvérsia em relação a esses limites. Pessoalmente, entendo que a Polícia Militar está nas ruas para manter a ordem e esta simples função tem vasta amplitude. Manter a ordem, no caso da PM, a meu ver, não se limita (ou não deveria se limitar) a inibir ou reagir a situações de violência. Sua ação deve estar voltada para detectar e agir diante de qualquer situação incongruente.
Por exemplo, se policiais militares estão de plantão em uma esquina e percebem que, em função do carnaval, o tráfego de veículos aumentou sobremaneira naquela rua, onde carros estacionados embaixo de uma placa onde se lê “É proibido estacionar” estão complicando a situação, os policiais militares, mesmo não tendo função de organizar o trânsito, deveriam acionar o órgão competente para resolver o problema. Eles não fazem isso. Mesmo quando solicitados.
Outro exemplo. Na 2ª feira de carnaval, um fusca começou a pegar fogo no início da rua Cardeal Leme, em Santa Teresa, onde uma patrulha com três ou quatro policiais militares ficou estacionada durante todo o período momesco. No momento do dito incêndio, lá estavam eles. De braços cruzados. E assim permaneceram. Quer dizer, mais ou menos, suponho que tenham acionado o Corpo de Bombeiros.
O que eles poderiam fazer, não sendo bombeiros até que estes chegassem? Regular o trânsito para impedir que outros veículos tentassem passar por ali, solicitar ajuda (extintores) a motoristas que passavam e a moradores, por exemplo. Não sei. Qualquer coisa seria melhor do que não fazer nada.
Houve um momento que o desastre parecia que aumentaria em proporção inimaginável, quando as chamas que consumiam o veículo se aproximaram perigosamente dos cabos de alta tensão da rede de iluminação pública.
Finalmente, o porteiro de um prédio próximo puxou uma mangueira e começou a jogar água sobre o fogo, apagando-o sob os olhares plácidos e desinteressados dos policiais militares. O fusca ardeu por, aproximadamente, 20 minutos. Perda total. Os bombeiros chegaram a tempo de extinguir uma última fumacinha que ainda teimava por ali.
* jornalista e vice-presidente da AMAST










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