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Reféns do medo


Categoria: Clipping  
13 de maio de 2010

Moradores continuam a sofrer com a violência e a ter sua rotina alterada, apesar da instalação de UPPs em sete favelas da região

Eduardo Zobaran

(…) em Santa Teresa, os bandidos chegam de carro e armados. Vítima de um assalto recente, uma recepcionista que mora há 12 anos no bairro garante que nunca tinha visto as ruas do lugar tão perigosas. O procedimento dos homens era conhecido.

- Às 18h30min, fui abordada por alguém num carro preto. Tinha uma pessoa no banco do carona, mas quem me roubou foi o motorista. A minha irmã já tinha sido assaltada da mesma forma, uma semana antes ? conta. ? Estou vivendo sob medo.

Ela teme ainda pelos pais, idosos, que ficam sozinhos enquanto vai trabalhar. Precavida, mudou seus horários e agora está saindo mais cedo de casa. O objetivo é evitar o final da tarde, quando as ruas, mal iluminadas, ficam desertas.

- No bairro, não é difícil encontrar quem tenha sofrido violência. Dona do restaurante Sobrado, próximo ao Largo do Curvelo, Tarciana Paula Maciel lembra que a casa foi assaltada no início do ano.

- O restaurante depende muito dos moradores do bairro. Com medo, eles saem menos. De 2009 para 2010, a violência reduziu em 30% o movimento ? diz.

O mistério das cabines vazias

(…) Em Santa Teresa, o comandante do 1º BPM, tenente-coronel Cézar Tanner, explica que, no bairro, as cabines nem sempre aumentam a sensação de segurança:

- As ruas são sinuosas e o policial num ponto, parado, não consegue ver ou ser visto. Por isso, didividmos o bairro em áreas atendidas 24 horas por dia por cinco viaturas. Temos ainda dois outros veículos que atendem principalmente as chamadas de emergência.

Segundo pesquisador, UPPs criam segurança objetiva

Durante depoimento sobre o assalto que levou sua bolsa, a moradora de Santa Teresa levantou uma suspeita usual. Assim como outros moradores da Zona Sul ouvidos, afirma que a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora é responsável pelo aumento dos crimes no bairro:

- Os vizinhos comentam que, com a polícia subindo os morros, os bandidos estão descendo e pegando as pessoas aqui em baixo.

De acordo com Jorge da Silva, coordenador de Estudos e Pesquisa em Ordem Pública e Direitos Humanos da Uerj e coronel da reserva da PM, as UPPs criaram uma segurança subjetiva na população, mas que não corresponde à realidade na cidade.

- Não acredito que a violência tenha aumentado ou diminuído com a instalação de UPPs. O que haver é uma ação contra traficantes, e não contra a criminalidade. A ideia de que as UPPs são uma panacéia para a cidade cria uma  frustração na população ? diz.

Revista O Globo Zona Sul – 5ª-feira, 13.05.2010 (trecho)

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