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AMAST

POSICIONAMENTO DA AMAST SOBRE O ANDAMENTO DAS OBRAS DO BONDE

POSICIONAMENTO DA AMAST SOBRE AS OBRAS DO BONDE DE SANTA TERESA

1. O contrato assinado pela Casa Civil e pelo Consórcio Azvi-Elmo prevê a troca de um total de 17 500 metros de trilhos em um prazo de 12 meses.

2. Passados 14 meses (dois meses a mais que o total do tempo previsto pelo contrato), o Consórcio só conseguiu trocar aproximadamente 3 400 metros desse total. Ou seja, 20% do que é previsto pelo contrato.

3. Concluimos que, mantido o ritmo dos trabalhos, as obras iniciadas em 11 de novembro de 2014 só serão realmente concluídas às vésperas do Natal de 2018.

4. Este fato é grave, não apenas por conta do previsível aumento de custos da obra, mas também porque a realização das obras em si tem um fortíssimo impacto negativo sobre a vida de todos os moradores.

5. A abertura de canteiros nas principais vias do bairro, implicam, inevitavelmente, na modificação dos trajetos das linhas de ônibus que atendem aos moradores. O trânsito no bairro ficou muito complicado. O tempo que os moradores levam para chegar ao trabalho e para voltar às suas casas é agora muito mais longo. Nos horários de pico, esse tempo dobrou.

6. Os novos trajetos das linhas de ônibus fazem com que os mesmos circulem agora por ladeiras íngremes e estreitas que não têm estrutura para aguentar esse tipo de tráfego pesado. O calçamento afunda e as redes de água e esgoto sofrem danos constantes.

7. É por conta disso que a AMAST acredita que tudo deveria ter sido feito para garantir a realização dos trabalhos no menor tempo possível, coisa que não aconteceu.

8. Houve falhas de planejamento, que fazem com que a troca das redes da CEDAE e da CEG (que se fez necessária por conta da própria obra de troca de trilhos, mas deveria ter sido realizada antes do início dos trabalhos do Consórcio) esteja acontecendo de forma concomitante a colocação dos novos trilhos e cabos, atrasando ainda mais o ritmo das obras.

9. Os trabalhos já finalizados na Rua Joaquim Murtinho apresentam evidentes problemas de qualidade, sendo o principal deles relacionado ao desaparecimento do meio fio ao longo de praticamente toda a rua. Do jeito que as coisas foram feitas, as calçadas estão no mesmo nível dos trilhos e da via pela qual circulam ônibus e automóveis. A sarjeta (necessária à coleta adequada de água de chuva desapareceu), assim como o meio fio. Tal situação representa evidente risco para os imóveis (que poderão ser afetados pela enxurrada em dias de chuvas fortes) e para os usuários das calçadas. Além disso, na Rua Almirante Alexandrino, acima do Largo do Guimarães, foi asfaltado um trecho que era anteriormente calçado com paralelepípedos e deveria, de acordo com o contrato assinado, voltar a ser calçado como antes. Considerando que Santa Teresa é uma APAC (Área de Preservação de Ambiente Cultural), trata-se de um flagrante desrespeito ao patrimônio cultural da cidade.

Em resumo: A provável volta à operação de bondes nos 1200 metros que separam a Estação Nelson Motorneiro (na Carioca) do Largo do Curvelo até traz alguma esperança, mas não é para nós motivo para comemoração:

  • A operação de novos bondes na Rua Joaquim Murtinho, até o Curvelo, não terá praticamente nenhum impacto positivo para a grande maioria dos moradores do bairro, que vive acima do Largo do Curvelo. Nada muda para quem mora acima do Largo do Guimarães, nas comunidades da Fallet, Prazeres, Coroa, Escondidinho, Guararapes e outras que fazem parte do bairro. Nada muda também para quem vive no ramal que leva ao Largo das Neves ou ao longo dos trilhos que vão do Largo do Guimarães ao Silvestre.
  • Uma vez inaugurado o novo trecho da Joaquim Murtinho e considerando que este trecho atende apenas uma parcela muito pequena do total de aproximadamente 50 000 moradores de Santa Teresa, o que entendemos é que o bonde irá operar muito mais como equipamento voltado para o turismo que como meio de transporte público para os moradores.
  • A Casa Civil e o governo continuam a se recusar ao diálogo com os moradores e se omitem de qualquer esforço de informação dos mesmos sobre a continuidade das obras. Não sabemos por quanto tempo poderão se estender e se serão levadas a bom termo, com a devida qualidade e respeito pelo patrimônio cultural do bairro.
  • Nada foi publicado até agora sobre o resultado dos testes realizados com os novos bondes que poderão começar a circular em breve. Pressupunha-se que, a aprovação do protótipo (primeiro bonde produzido pela TTRANS) nestes testes, seria pré requisito para o start da produção dos demais 13 bondes, no entanto 5 bondes já estão entregues e estacionados na Estação Carioca, sem a certeza de sua segurança para o uso nas ladeiras do bairro.
  • Nada foi dito, até este momento, sobre o valor da tarifa que será cobrada no trecho que poderá ser inaugurado em breve e sobre outros detalhes operacionais.

QUEREMOS A VOLTA – URGENTE – DO BONDE POPULAR, QUE DEVE OPERAR COMO PRINCIPAL MODAL DE TRANSPORTE PÚBLICO PARA OS MORADORES DO BAIRRO.

AS OBRAS DEVEM SER ACELERADAS E SER REALIZADAS COM A DEVIDA QUALIDADE E RESPEITO PELO PATRIMÔNIO CULTURAL LOCAL

A PARTICIPAÇÃO DOS MORADORES E DE SEUS REPRESENTANTES DEVE SER GARANTIDA EM TODAS AS DECISÕES RELACIONADAS À FUTURA OPERAÇÃO DO NOVO SISTEMA.

DETALHES SOBRE O ANDAMENTO DAS OBRAS:

Passados 14 meses do início dos trabalhos, temos o seguinte quadro:

  • Troca de trilhos na Rua Francisco Muratori ( 450 metros concluídos);
  •  Troca de trilhos sobre os Arcos da Lapa (500 metros concluídos)
  • Troca dos trilhos na Rua Joaquim Murtinho (2100 metros concluídos
  • Troca dos trilhos na Rua Carlos Brant /acesso às oficinas ( 100 metros concluídos)
  • Troca dos trilhos na Rua Almirante Alexandrino, entre o Largo do Guimarães e a Praça Odylo Costa Neto ( 250 metros de um total de aproximadamente 650 metros concluiídos)

De acordo com esse nosso levantamento aproximado, teriam sido trocados até agora 3 750 metros de trilhos de um total de 17 750 previstos pelo projeto básico e pelo contrato, ou seja, aproximadamente, 20% do total de trilhos que, de acordo com o contrato assinado pelo Consórcio e pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, deveriam ter sido concluídos em um período de 12 meses, que se esgotou no princípio de Novembro próximo.

Conclui-se que, mantido o ritmo impresso aos trabalhos pelo Consórcio ELMO-AZVI, os trabalhos só virão a ser concluídos em novembro de 2018.

P.S.: Neste posicionamento não entramos nas questões específicas referentes aos bondes (composições), já que trata-se de outra licitação, de responsabilidade da TTRANS. Como relatado não tivemos nenhum retorno quanto aos laudos dos testes realizados, mas nos preocupa desde já a altura dos estribos. A impressão que se tem é que estão muito distantes do nível da rua e que, por conta de sua altura, muita gente terá grandes dificuldades para entrar no bonde.