Dono do Hotel Santa Teresa pode ter bens penhorados
Categoria: AMAST em ação
12 de dezembro de 2009
O administrador do Hotel Santa Teresa, François Delort, poderá ter bens penhorados para pagar as custas de processo judicial que moveu tentando impedir que a AMAST seguisse denunciando as irregularidades nas obras realizadas naquele imóvel, tombado como patrimônio público do estado do Rio de Janeiro, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC).
O advogado Pedro Massena, que defendeu a AMAST na ação com que Delort pretendia calar nossa voz, está pedindo a penhora dos bens do “monsieur”. Como perdeu a ação em 1ª e 2ª instâncias, monsieur Delort deveria pagar as custas do processo e honorários do advogado, mas não o fez. Em função dessa inadimplência, corre o risco de ter bens penhorados pela Justiça do Estado do Rio de Janeiro.
Na França, isso é crime
Categoria: Clipping
12 de dezembro de 2009
Heloísa Pires Ferreira, diretora da AMAST
Em artigo publicado no Jornal do Brasil, o procurador do estado e professor José Vicente dos Santos emitiu parecer defendendo a liminar obtida pelo Hotel Santa Tereza no plantão judiciário, com a qual amordaçou o sagrado direito de manifestação popular.
Como integrante da diretoria da Amast, escolhida em eleição direta pelos moradores do bairro, devo esclarecer que, no caso do Hotel Santa Teresa, a justiça não teve a oportunidade de ouvir aqueles que sofrem com a perturbação da ordem pública provocada pelo proprietário do Hotel Santa Tereza ao realizar eventos.
Além do barulho excessivo em horas impróprias, há excesso de veículos e estacionamento irregular sobre calçadas, prejudicando a qualidade de vida dos moradores.
O atual proprietário do Hotel Santa Teresa, caso estivesse em seu país – a França – seria impedido de realizar as obras de modernização no imóvel, desrespeitando, claramente, a lei que rege o tombamento pelo Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural). A Amast denunciou seguidamente as agressões ao imóvel, mas, infelizmente, não encontramos eco no órgão municipal responsável pela autorização da obra.
Na França, as intervenções realizadas jamais seriam possíveis. Aqui, o prefeito é recebido para jantar pelo proprietário responsável pela descaracterização do imóvel tombado. Então, realmete, é difícil obter sucesso numa demanda popular, que tenta proteger o patrimônio, que não é da Amast, mas de toda a população de nossa cidade.
Os fatos, se analisados à luz do direito, são inequívocos. Por isso, é muito difícil entender como a Justiça – que respeitamos e à qual nos submetemos – pode acatar um pedido que cala nossa voz.
Nossa representatividade está no apoio que temos dos moradores de Santa Teresa. Considerando que o ônus da prova é do acusador, quem diz que não temos representatividade, deve prová-lo. Não atuamos em causa própria. Lutamos por bens comuns, pela preservação de nosso bairro, pelo respeito à nossa história, pela qualidade de vida dos moradores de Santa Teresa. Entendemos que, se o bairro é nosso, a luta é nossa. Somos todos voluntários. Não há interesses pessoais, mas coletivos. Desafiamos o acusador a provar o contrário.
Publicado no Jornal do Brasil do dia 20/11/2009
Hotel Santa Teresa: os abusos continuam
Categoria: Grita Santa
12 de dezembro de 2009
- Como fica o barulho do hotel que está enlouquecendo os vizinhos?
- Como ficam os abusos no estacionamento de veículos no entorno do hotel?
- Como fica a agressão cometida pelos atuais proprietários contra o patrimônio histórico tombado?

A luta continua. Não vamos esmorecer. Temos, ao nosso lado, o amor por nosso bairro, por cada pedra do calçamento e cada parede do casario histórico. O que nos anima não é o lucro financeiro, embora nada tenhamos contra esse lucro desde que não seja predatório. O que nos anima é a certeza de que estamos no caminho certo. Somente a mobilização popular conseguirá barrar os abusos cometidos contra nosso ambiente natural, histórico e cultural.
Sua participação nesta luta é fundamental. Não se omita. Venha com a gente em defesa de Santa Teresa. Em defesa de nossa história e de nossa qualidade de vida. Lembre-se, calados e isolados, o máximo que conseguimos é remoer revoltas. Unidos, somos invencíveis.
Se o bairro é nosso, a luta é nossa!
Hotel Santa Teresa x vizinhança: esclarecimentos necessários
Categoria: Clipping
10 de dezembro de 2009
*Juçara Braga
Por conhecer e respeitar o projeto do jornal Capital Cultural, sustentado pela garra e pelo compromisso com os leitores e com a reportagem isenta dos fatos, muito nos surpreendeu o artigo intitulado “Amast e Hotel Santa Teresa: uma nova queda de braço no ar”, publicado na edição de novembro deste ano.
De forma incompreensível, o Capital Cultural deu voz apenas ao proprietário do Hotel Santa Teresa. Não ouviu a AMAST e tampouco os moradores que “alegam estarem incomodados com o barulho do hotel”.
Para restabelecer o equilíbrio na transmissão das informações aos leitores do Capital Cultural, a AMAST esclarece:
- Moradores que “alegam perturbação da ordem” por causa do barulho do hotel estão à disposição do jornal Capital Cultural para relatar a piora de sua qualidade de vida em função dos problemas causados pela atual administração do hotel.
- Ao contrário do que afirma o autor do artigo, a AMAST não foi proibida de se manifestar, simplesmente, porque não é ré no processo que, efetivamente, teve uma decisão cerceando a manifestação dos moradores vizinhos ao hotel.
- No único processo contra a AMAST, François Delort perdeu em 1ª e 2ª instâncias. Agora, ele resolveu processar moradores do prédio em frente ao hotel, que não são filiados à AMAST e, por incrível que pareça, foram contra a posição da Associação à época da demolição do hotel.
- A AMAST não combate o hotel nem seu proprietário. Nossa luta é contra abusos e ilegalidades, em defesa dos moradores e da qualidade de vida em nosso bairro, que vem sofrendo com a falta de bom senso de forasteiros que não têm compromisso com a preservação de nossa história, nossa cultura e nosso meio ambiente.
- A AMAST jamais apoiou manifestações do tipo “olho por olho, dente por dente”. O ato a que o processo se refere nunca foi aprovado pelos moradores vizinhos ao hotel que apenas discutiam seus problemas em um grupo fechado na internet. Essa comunicação foi interceptada e algumas palavras mais exaltadas foram utilizadas para justificar uma ação judicial meramente intimidatória, tentando proibir algo que sequer estava aprovado por aquele coletivo.
- O oportunismo do Sr. François Delort, ao utilizar-se dessa conversa à qual teve acesso por meios incertos, não nos causa estranheza. O que ele quer impedir não é o barulho, nem o funk proibidão, mas qualquer manifestação da AMAST, mesmo as silenciosas. Se assim não fosse, por que o Sr. Delort procurou a Administração Regional de Santa Teresa para reclamar das faixas espalhadas pelo bairro denunciando a ação que ele moveu contra os moradores?
- Se falta democracia, não é bem por parte da AMAST.
* Juçara Braga, jornalista e vice-presidente da AMAST
Publicado no jornal Capital Cultural de dezembro/2009
Morador responde indignado à demolição irregular do Hotel dos Descasados
Categoria: Grita Santa
04 de novembro de 2007
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Recebi por equivoco uma comunicação sua destinada a uma outra pessoa, daí tomo a liberdade de lhe mandar este e-mail.
” Lo que denuncio es la monstruosa hipertrofia de algunas posibilidades humanas (la razón, por ejemplo) en desmedro de otras, menos defininibles por estar situadas precisamente al margen de órbita racional…ese desequilibrio resultante de um humanismo que en definitiva pone el acento en el sapiens más que en homo.” Julio Cortázar (Cartas 1964)
Devo-lhe dizer que me causa muita tristeza ler a leveza com que o senhor trata a questão do patrimônio cultural aqui do bairro. Meu vizinho de frente, por exemplo, não viveu para ver a reforma de sua casa terminada depois de dois anos de negociação com o Patrimônio (IPHAN), pois o telhado estava caindo, as paredes estavam rotas, etc (Isso lhe soa familiar, talvez?). Pois bem, depois de dois anos de reforma minuciosa, eis que a casa está novamente linda, pronta para receber mais uma geração de sua família.
Agora tentam refazer o jardim; criam uma tradição e junto, um futuro. Em minha própria casa, uma das mais fotografadas da região, temos gastos com decupinização sistemática, repintamos as fachadas diuturnamente, cuidamos da preservação da arquitetura, dos jardins, do gradil – temos vários empregados, exclusivos para este fim. Outros vizinhos felizmente, tem agido da mesma forma.
Daí, leio que o senhor é muito preocupado com o patrimônio cultural do Bairro de Santa Teresa. Esta afirmação sua me causou enorme estranheza. Explico. Assisti da minha varanda à firma contratada pelo senhor quebrar telha a telha, todo o trabalho de escravos. O senhor deveria ter consultado um restaurador para esta obra. Ainda que o senhor não tencionasse reutilizar as telhas, deveria tê-las ofertado ao patrimônio histórico, pois eram telhas feitas nas coxas (dos escravos) e portanto, únicas, centenárias. O senhor sabia?
Após isso, esta mesma empresa vendeu todo o madeirame e os portões de ferro também centenários à firmas de demolição. O senhor sabia? Por último, o senhor utilizou de retro-escavadeira para demolir um prédio, que segundo o senhor, não tinha condições de ser reformado, pois estava caindo. Para mim, um escárnio, esta afirmação, desculpe a franqueza algo agressiva, especialmente quando penso no meu vizinho.
Enquanto meu vizinho morreu tentando preservar seu imóvel, o senhor pôs abaixo o segundo imóvel histórico mais importante de Santa Teresa – o primeiro é o Convento, que dá nome ao bairro – sempre com a promessa de que estaria o reconstruindo.
No meu entendimento do português, para reconstruir, eu teria que fazer de novo, igual ao que era. Caso contrário, estamos falando de uma nova construção. Que tal o senhor admitir isso, publicamente? Seria uma postura mais honesta se sua parte, admitir que cometeu um erro, e tentar repará-lo, ao invés de ficar tentando desautorizar àqueles que se contrapõem ao senhor.
Estas pessoas estão indignadas com razão. Também me indigno. O senhor tenta com isto destruir nosso modo de vida. Nós não vivemos de passado não, nós é que escolhemos viver deste modo. Afinal fomos nós, eu inclusive – que moramos em Santa Teresa, que tomamos a iniciativa de preservar este lugar. Não por motivos fúteis, mas porque sabemos que o patrimônio que ainda temos é o mais representativo de como esta cidade vivia e bem – que ainda está de pé. Lamentavelmente o hotel se foi. São as nossas casas e o nosso investimento, vida. A lei da APA existe para que este casario permaneça como representante arquitetural histórico da cidade do Rio de Janeiro, e foi exatamente por este motivo, que o senhor conseguiu adquirir o imóvel ainda de pé, ainda habitável, ainda funcionando.
O “Hotel dos Descasados” era um patrimônio cultural do bairro. Agora não é mais. Virou Exclusive. Só o que resta desta construção, são as paredes da Rua Almirante Alexandrino e os quatro arcos que a ação dos moradores lhe impediram de destruir. Eu poderia desdenhá-lo, senhor, mas faço diferente, convido-o a fazer algo positivo – realmente pó-si-ti-vo – pelo bairro. Não isso de colocar o comércio contra os moradores, ou colocar o “asfalto” contra as “comunidades” como o senhor sistematicamente vem fazendo. Não é com a promessa de alguns empregos subalternos ou alguma caridade que o senhor conquistará a simpatia do bairro, mas sim respeitando aqueles que forjaram o que o senhor encontrou, gostou e adquiriu. O senhor tem tamanho. Terá grandeza?
A força de Santa Teresa vem das pessoas que aqui moram, que forjaram a cultura pela qual o senhor se apaixonou de tal forma, que quis dela fazer parte. Como compreender o senhor, e outros como o senhor, que destroem o objeto de seu amor? Estranha perversão esta, onde apenas conta o prazer do poder. Sobrará deste embate apenas mais um bairro sem personalidade, igual a Parati – uma cidade que perdeu sua alma!
Lamentável isso tudo! Muito lamentável.
Talvez o senhor ainda não conheça o que se chama Patrimônio Imaterial: a forma de se viver num lugar. Fazem parte disso o conjunto de casario, tradições, lendas, fauna, flora, costumes, pessoas, convivência…
Para terminar, cogito, qual seria a resposta das autoridades de seu país de origem, a França, se eu comprasse um daqueles imóveis do 6º distrito de Paris, aqueles feitos em 1600, e o pusesse abaixo? O senhor percebe que foi exatamente isto que o senhor fez aqui em Santa Teresa, na nossa cultura? Uma construção de 1865 num país de quinhentos anos, equivale a destruir um prédio ou um castelo de 400 anos na França. Por preguiça de fazer bem feito, utiliza o cartesianismo – custo versus lucro. O Homem? Esqueça! Este é o símbolo que o senhor nos oferece. O senhor se dá conta?
Atenciosamente,
Daniel Willmer, morador que ama o bairro profundamente e que quer paz e honestidade de propósitos.









