Transurb aceita dialogar com a AMAST
Categoria: AMAST em ação
12 de dezembro de 2009
A AMAST teve uma reunião, em novembro, com representantes da Transurb que se declararam abertos ao diálogo com o propósito de resolver os graves problemas de qualidade no transporte coletivo por ônibus em Santa Teresa e no Bairro de Fátima.
Nesse encontro, a AMAST relatou as queixas da população sobre excesso de velocidade, direção perigosa, descuido em relação ao tráfego de bondes, cobrança de passagens com o veículo em movimento, irregularidade nos horários, rodízio excessivo e falta de treinamento dos motoristas que, não raro, desconhecem o trajeto a ser percorrido.
Vários incidentes com os ônibus da Transurb que circulam em Santa Teresa já têm registro na 7º DP. Para melhorar a qualidade do transporte público que utilizamos em nosso dia a dia é preciso manter a vigilância. Por isso, faça sua reclamação junto à Transurb e aos órgãos competentes e relate o fato à AMAST para que seja feita a denúncia pública.
O caos da privatização
Categoria: Mensagens da Diretoria
06 de maio de 2009
Os debates sobre a privatização do sistema de bondes ganharam elementos significativos esses dias. O tumulto na estação das barcas na Praça XV no início de abril trouxe à tona mais uma vez as mazelas da privatização. Usuários cansados da má qualidade do transporte e da falta de respeito ao seu direito básico a este serviço público essencial acabaram explodindo.
Este não é o melhor caminho, mas foi a maneira de dar visibilidade a um problema que se arrasta desde a privatização das barcas. Os investimentos necessários não são feitos, o governo estadual não exige o cumprimento da regras e os dois lados (governo e concessionária) vão “empurrando com a barriga”.
Quem defende a privatização, argumenta que o Estado não tem capacidade de gestão e, além disso, deve direcionar seus recursos para outros fins. Pois é, onde está a capacidade de gestão da concessionária Barcas S/A? Onde estão os investimentos necessários à oferta de um transporte de qualidade à população? E quem acode quando os problemas se agravam, como agora? O Estado, claro, com recursos do BNDES. Que privatização é essa na qual a iniciativa privada embolsa os lucros e vem de pires na mão, buscar dinheiro público, para realizar os investimentos?
A proposta de privatização dos bondes de Santa Teresa deve incluir essa perspectiva. A comunidade deve ser ouvida. O governo estadual não tem o direito de decidir sobre a privatização em gabinetes refrigerados sem trazer a discussão a público. Pois, justamente, é o público que usa o transporte público. Suas Excelências, como sabemos, usam veículos particulares blindados e com isofilme.
Metrô S/A e Supervia disputam com Barcas S/A
o pior lugar na prestação de serviços
Em termos de problemas, o metrô do Rio não fica atrás. Privatizado, piorou. Os usuários sabem muito bem o que significa ter que usar esse meio de transporte nos horários de pico. É um absurdo que as pessoas tenham que disputar a entrada no vagão. E isso seguirá assim até que haja um acidente. Será paranóia ou é possível imaginar que um dos passageiros posicionados bem à frente para entrar no trem possa cair sobre os trilhos na movimentação da massa humana que vem atrás?
E a fumaça na estação da Praça Saens Pena, na Tijuca, na última semana de abril? Não é um sinal de alerta de que há problemas? A concessionária deu uma explicação rasa e parece ter ficado por isso mesmo.
Cadê os investimentos? Cadê o Estado que não fiscaliza? Aliás, a única coisa que se sabe é para onde vão os lucros. Sobre o resto, parece valer o ditado popular: ?Pergunte ao Abreu. Se ele não souber, nem eu!?
Supervia, super truculência, super
incompetência, super descaso
A concessionária Supervia, que administra o sistema de trens suburbanos e interurbanos do Rio, é superlativa em tudo, menos na eficiência. Quem viaja, sabe. O marketing dos trens com ar condicionado não resiste a um confronto com a realidade, com o dia a dia dos usuários dos trens da Central do Brasil.
As acomodações são precárias, desconfortáveis. Quem viaja sentado tem que se espremer em bancos duros e dispostos ao comprido. Quem viaja em pé, que se vire como puder. Nos horários de pico é um Deus nos acuda e olhe lá.
Pior que isso, os acidentes sucedidos de denúncias de má conservação das composições e a situação de insegurança a que estão submetidos os usuários. Guardas ferroviários que, teoricamente, estão nos trens e nas estações para protegê-los, são flagrados agredindo. Não há desculpa para tal descalabro, mas, parece que as autoridades de plantão aceitam as desculpas.
A Radiobras e os bondes
Categoria: Clipping • Mensagens da Diretoria
25 de março de 2009
* Juçara Braga
Recentemente, dei uma entrevista à Agência Brasil, site de notícias governamental que integra o sistema Radiobrás, e, entendendo que a matéria publicada trazia algumas distorções em relação ao que falei, enviei mensagem protestando. O ouvidor da Agência, Paulo Machado, respondeu, ampliando a pauta para uma série de questões relacionadas ao propósito do governo estadual de privatizar nossos bondes. Agradeço a atenção do ouvidor Paulo Machado, analisei seus argumentos, mas, ainda assim, mantenho meu protesto. Enviei tréplica que, estou certa, chegará (se já não chegou) ao ouvidor e reproduzo, a seguir, o trecho no qual ele propõe uma pauta um outro olhar sobre a proposta de privatização do sistema de bondes. O texto completo pode ser lido no link ouvidoria, arquivo de 20/03/2009, na Agência Brasil (www.agenciabrasil.gov.br), um dos melhores sites de notícias que temos, atualmente.
* Vice-presidente da AMAST
Análise da pauta pelo ouvidor da Agência Brasil, Paulo Machado: A partir dos problemas de infra-estrutura de transportes de Santa Teresa, uma fonte deu informações para que se construísse um outro olhar sobre a questão. Poderia ter sido uma abordagem em que a notícia discutisse o crescimento econômico a qualquer preço, às expensas da depredação ocasionada por um turismo de massa, em contraposição ao desenvolvimento econômico sustentável, que respeite as características socioculturais e ambientais do bairro. Essa contradição entre crescimento e desenvolvimento é uma discussão que permeia nossa sociedade e nada melhor do que exemplos práticos como esse para deles se extrair o caráter universal das questões que contemplam. Principalmente porque o assunto da pauta era a privatização dos bondes conforme consta da matéria: Modelo de concessão dos bondes de Santa Teresa sai ainda no primeiro semestre, publicada dois minutos antes da outra.
Nela, o secretário estadual de Transportes do Rio de Janeiro, Julio Lopes, defende um modelo de concessão, como o aplicado para outros meios de transportes na cidade, com o objetivo de melhorar o serviço. Mas será que o modelo funcionaria em um sistema de transporte com tantas peculiaridades como o de Santa Teresa? Ou o bairro secular, que possui o único sistema de bondes em funcionamento na cidade, mereceria uma administração diferenciada que preserve suas características socioculturais e ambientais, mesmo que o estado tenha que continuar subsidiando o preço da passagem? Quais as implicações da privatização do sistema? Essa poderia ter sido a discussão por trás da pauta que partindo de um exemplo local daria uma dimensão nacional ao assunto. Hoje vivemos um momento singular em que o mesmo Estado que deveria ser mínimo e não se intrometer nos assuntos de mercado, segundo os paradigmas neoliberais, está sendo convocado para salvar, com dinheiro do contribuinte, alguns bancos e empresas que outrora enriqueceram, se locupletaram, concentrando poder e riqueza graças à ausência do Estado.
Desconstruir paradigmas como o da privatização, explicar como funcionaram e como estão presentes no cotidiano de nossa economia pode ser uma oportunidade histórica para que a comunicação pública se estabeleça como um diferencial, quer seja discutindo os níveis de emprego quer seja discutindo a matriz de transporte de Santa Teresa, a partir dos interesses da cidadania e não a partir dos interesses do poder político e econômico.
Por que os bondes de Santa Teresa são notícia para a ABr? O objetivo dessa pauta seria o de mostrar quais são as outras soluções possíveis e que talvez estejam sendo ignoradas pelo governo ou apenas informar que o governo vai privatizar o serviço? Apesar de ser a função da Agência fornecer informações para promover o debate sobre o problema mostrando os diversos pontos de vista sobre a questão, em algumas frases a reportagem dá a entender que a decisão já está tomada: “Com o preço subsidiado e inúmeros problemas, o governo não vislumbra outra solução”.
No entanto, na leitura das duas matérias aparecem informações que revelam soluções alternativas à que está sendo tomada pelo Poder Público, mas as matérias não explicam por que não foram aplicadas. Por exemplo: o que aconteceu com os R$ 22 milhões destinados pelo Banco Mundial (Bird) para a restauração de 14 composições há dois anos? Por que o banco colocaria esse dinheiro na mão do governo se não fosse para recuperar um sistema de transportes tombado pelo patrimônio histórico? Quais são os argumentos da sociedade civil que obteve uma liminar obrigando a devolução dos bondes em 2008? Por que o estado não cumpriu a liminar? Em que se baseou a decisão da Justiça? Qual o impacto sociocultural da privatização desse cartão postal[bondinhos] que já transportaram a intelectualidade e boa parte da elite carioca nas décadas de 1930 e 1940? Qual a posição do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) sobre a privatização? Quantos profissionais trabalham no sistema de bondes, que incluiu também a conservação dos trilhos, das garagens, oficinas e da rede aérea de eletricidade.? Quanto vale o conhecimento desses profissionais sobre uma tecnologia secular que está em extinção? E a relação afetiva com seu trabalho? Será que os custos indiretos e imateriais foram computados pelo governo quando o secretário de Transportes alega que o preço da passagem (R$ 0,60) não é suficiente para cobrir todas as despesas? O valor está defasado de qualquer realidade de transporte? Os usuários do transporte público concordam com a afirmação do secretário de que o modelo de concessão, como o aplicado para outros meios de transportes na cidade, com o objetivo de melhorar o serviço, realmente o melhorou ou é somente um objetivo? Mais importante do que saber o que é notícia e reportar o fato em si, seja ele local ou nacional, talvez seja explicar porque tal fato aconteceu.
Assim, mesmo que os assuntos cobertos pela ABr sejam comuns aos outros veículos de comunicação, o público espera que ela consiga ir além dos fatos mostrando porque eles aconteceram, quais foram as suas origens, o que determinou que eles ocorressem de uma determinada maneira e não de outra, quais são os processos históricos em curso e suas possíveis conseqüências, quem ainda não foi ouvido e precisa ser para que se estabeleça o debate democrático no espaço público de comunicação.
Privatização dos bondes
Categoria: Mensagens da Diretoria
03 de março de 2009
Débora Lerrer*
Honestamente, é duro ler matérias com entrevistas de “usuários” do bondinho que, na verdade, não costumam usá-lo, para justificar as intenções do governo Cabral de privatizar este serviço tão duramente mantido em Santa Teresa graças à luta de seus moradores.
Apesar de, hoje, só estarem funcionando três bondes, esse meio de transporte dá de 10 a zero nos ônibus ensandecidos que correm nas ladeiras do bairro. Uso o bondinho todos os dias. Apesar do desmonte do serviço promovido por governos irresponsáveis, apesar de, às vezes, ocorrerem problemas de carros estacionados nos trilhos, falta de energia e atrasos, geralmente, o bonde passa nas horas previstas.
Ou seja, dá para ir ao centro e voltar sem o estresse de ficar esperando um ônibus que a gente não sabe quando vai passar. Para usar bem o bonde, basta saber mais ou menos seus horários e relaxar, aproveitar o relacionamento dos motorneiros com os usuários e conhecer pessoas de outros lugares encantadas com esse tempo que ainda podemos desfrutar em Santa Teresa graças aos sacolejos de seus bondinhos.
Antes, com dois bondes, era relativamente fácil saber o horário, pois o Dois Irmãos saía sempre na hora cheia. Eu o escutava subindo, dava 15 minutos e ia para o ponto esperá-lo. Agora, como ele está de 20 em 20 minutos, posso me dar ao luxo de ir ao Largo do Guimarães porque tenho mais chance de, se perder o que veio para cá, pegar o seguinte, que vem do Largo das Neves.
O ideal, obviamente, é ter mais bondinhos. Aí, simplesmente não terá público para esses ônibus malucos, que vão ladeira abaixo como se estivessem participando de corridas, com motoristas estressados que, volta e meia, tratam mal os passageiros, fechando a porta antes de todos descerem. Já vi acidente sério com uma idosa que descia do ônibus devagar demais para os padrões da Transurb, com certeza, a pior concessionária de ônibus do Rio.
Obviamente, com mais bondinhos, os R$ 0,60 de tarifa do bonde que o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, alega ser um valor irrisório, vão melhorar a receita do serviço. Aliás, acho mesmo que a passagem poderia subir, mas para R$ 1,00. Só não sei porque eles precisam privatizar para subir a passagem.
Quer dizer que uma empresa do Estado não tem autonomia para aumentar o preço da passagem? Precisa privatizar para o lucro ir para bolsos particulares? O serviço de bondes pode ter equilíbrio financeiro. Basta estruturá-lo melhor, pois o custo deste transporte é baixo por já ter um investimento fixo feito. E mais, lembrem-se, recentemente houve uma reforma nas vias permanentes com dinheiro do Banco Mundial que quem pagará somos nós, mas, se privatizar, quem vai usufruir é a concessionária.
Transporte público é serviço essencial, portanto, não deveria estar sujeito às regras do mercado e a imperiosa necessidade de lucratividade. É serviço público e tem como destino final servir aos cidadãos e não encher bolsos privados.
* Débora Lerrer é jornalista e moradora de Santa Teresa
Largo dos Guimarães, trecho mais complexo, ficará para o fim
Categoria: Clipping
25 de outubro de 2007
A Secretaria estadual de Transportes informou que as obras, iniciadas em 2005 e interrompidas em 2006, aos poucos estão sendo retomadas e se dividem em duas frentes: a recuperação dos 14 bondinhos que compõem o sistema e a reforma dos trilhos. Ao todo, serão trocados 40% dos 15 quilômetros totais de trilhos. A obra inclui o nivelamento da pista, o que requer a remoção e a recolocação de asfalto e paralelepípedos. Além disso, está sendo feita a troca de 36 Aparelhos de Mudança de Via (AMVs), equipamentos usados para a transferência de linhas, e de dormentes.
A Secretaria estadual de Transportes informou que a última intervenção na via permanente do sistema de bondes de Santa Teresa foi feita em novembro de 1994. Mas os serviços efetuados na época não tinham o nível de complexidade da obra atual, uma vez que foram apenas ações corretivas em poucos trechos críticos.
Há cerca de um mês, os trabalhos de recuperação da via foram retomados pelo ramal Dois Irmãos. Vinte homens, supervisionados por técnicos da secretaria, estão recuperando 400 metros de via entre a Vista Alegre e o Largo do França. Esta primeira etapa será concluída em 40 dias, período em que a circulação de bondes no trecho ficará interrompida no local. A circulação até Vista Alegre, no entanto, permanece inalterada.
Próxima etapa será entre as ruas Áurea e Oriente
A próxima etapa das obras será feita no ramal Paula Matos, entre o posto de saúde da Rua Áurea e a Rua Oriente. Em seguida, serão recuperados mais dois trechos: entre o Bar do Mineiro e o Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, e na Rua Joaquim Murtinho, nas proximidades da Rua Francisco Muratori. Só então será iniciado o segmento mais complexo, no Largo dos Guimarães.
A recuperação dos bondinhos tem por objetivo modernizá-los mantendo suas características originais, como determina o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Para isso, cada bonde tem que ser desmontado, peça por peça, para receber o novo sistema mecânico, que o torna na verdade um veículo leve sobre trilhos (VLT), um tipo de bonde comum na Europa, adaptado ao trânsito urbano. Com novo motor, os bondinhos vão ficar mais potentes e econômicos. Vão ganhar freio a disco e nova suspensão, tornando-se mais confortáveis.
Segundo a secretaria, o projeto de revitalização foi incluído no Programa Estadual de Transportes (PET) em 2004. Ele prevê um aporte de R$14 milhões para a restauração dos bondes e de R$9 milhões para a recuperação dos trilhos. Boa parte desses valores é proveniente de financiamento do Banco Mundial.
Publicado em O Globo, dia 20/10/2007









