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O caos da privatização

 

Os debates sobre a privatização do sistema de bondes ganharam elementos significativos esses dias. O tumulto na estação das barcas na Praça XV no início de abril trouxe à tona mais uma vez as mazelas da privatização. Usuários cansados da má qualidade do transporte e da falta de respeito ao seu direito básico a este serviço público essencial acabaram explodindo.

Este não é o melhor caminho, mas foi a maneira de dar visibilidade a um problema que se arrasta desde a privatização das barcas. Os investimentos necessários não são feitos, o governo estadual não exige o cumprimento da regras e os dois lados (governo e concessionária) vão “empurrando com a barriga”.

Quem defende a privatização, argumenta que o Estado não tem capacidade de gestão e, além disso, deve direcionar seus recursos para outros fins. Pois é, onde está a capacidade de gestão da concessionária Barcas S/A? Onde estão os investimentos necessários à oferta de um transporte de qualidade à população? E quem acode quando os problemas se agravam, como agora? O Estado, claro, com recursos do BNDES. Que privatização é essa na qual a iniciativa privada embolsa os lucros e vem de pires na mão, buscar dinheiro público, para realizar os investimentos?

A proposta de privatização dos bondes de Santa Teresa deve incluir essa perspectiva. A comunidade deve ser ouvida. O governo estadual não tem o direito de decidir sobre a privatização em gabinetes refrigerados sem trazer a discussão a público. Pois, justamente, é o público que usa o transporte público. Suas Excelências, como sabemos, usam veículos particulares blindados e com isofilme.

Metrô S/A e Supervia disputam com Barcas S/A
o pior lugar na prestação de serviços

Em termos de problemas, o metrô do Rio não fica atrás. Privatizado, piorou. Os usuários sabem muito bem o que significa ter que usar esse meio de transporte nos horários de pico. É um absurdo que as pessoas tenham que disputar a entrada no vagão. E isso seguirá assim até que haja um acidente. Será paranóia ou é possível imaginar que um dos passageiros posicionados bem à frente para entrar no trem possa cair sobre os trilhos na movimentação da massa humana que vem atrás?

E a fumaça na estação da Praça Saens Pena, na Tijuca, na última semana de abril? Não é um sinal de alerta de que há problemas? A concessionária deu uma explicação rasa e parece ter ficado por isso mesmo.

Cadê os investimentos? Cadê o Estado que não fiscaliza? Aliás, a única coisa que se sabe é para onde vão os lucros. Sobre o resto, parece valer o ditado popular: ?Pergunte ao Abreu. Se ele não souber, nem eu!?

Supervia, super truculência, super
incompetência, super descaso

A concessionária Supervia, que administra o sistema de trens suburbanos e interurbanos do Rio, é superlativa em tudo, menos na eficiência. Quem viaja, sabe. O marketing dos trens com ar condicionado não resiste a um confronto com a realidade, com o dia a dia dos usuários dos trens da Central do Brasil.

As acomodações são precárias, desconfortáveis. Quem viaja sentado tem que se espremer em bancos duros e dispostos ao comprido. Quem viaja em pé, que se vire como puder. Nos horários de pico é um Deus nos acuda e olhe lá.

Pior que isso, os acidentes sucedidos de denúncias de má conservação das composições e a situação de insegurança a que estão submetidos os usuários. Guardas ferroviários que, teoricamente, estão nos trens e nas estações para protegê-los, são flagrados agredindo. Não há desculpa para tal descalabro, mas, parece que as autoridades de plantão aceitam as desculpas.

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06 de maio de 2009
Categorias: Mensagens da Diretoria

Privatização dos bondes

Débora Lerrer*

Honestamente, é duro ler matérias com entrevistas de “usuários” do bondinho que, na verdade, não costumam usá-lo, para justificar as intenções do governo Cabral de privatizar este serviço tão duramente mantido em Santa Teresa graças à luta de seus moradores.

Apesar de, hoje, só estarem funcionando três bondes, esse meio de transporte dá de 10 a zero nos ônibus ensandecidos que correm nas ladeiras do bairro. Uso o bondinho todos os dias. Apesar do desmonte do serviço promovido por governos irresponsáveis, apesar de, às vezes, ocorrerem problemas de carros estacionados nos trilhos, falta de energia e atrasos, geralmente, o bonde passa nas horas previstas.

Ou seja, dá para ir ao centro e voltar sem o estresse de ficar esperando um ônibus que a gente não sabe quando vai passar. Para usar bem o bonde, basta saber mais ou menos seus horários e relaxar, aproveitar o relacionamento dos motorneiros com os usuários e conhecer pessoas de outros lugares encantadas com esse tempo que ainda podemos desfrutar em Santa Teresa graças aos sacolejos de seus bondinhos.

Antes, com dois bondes, era relativamente fácil saber o horário, pois o Dois Irmãos saía sempre na hora cheia. Eu o escutava subindo, dava 15 minutos e ia para o ponto esperá-lo. Agora, como ele está de 20 em 20 minutos, posso me dar ao luxo de ir ao Largo do Guimarães porque tenho mais chance de, se perder o que veio para cá, pegar o seguinte, que vem do Largo das Neves.

O ideal, obviamente, é ter mais bondinhos. Aí, simplesmente não terá público para esses ônibus malucos, que vão ladeira abaixo como se estivessem participando de corridas, com motoristas estressados que, volta e meia, tratam mal os passageiros, fechando a porta antes de todos descerem. Já vi acidente sério com uma idosa que descia do ônibus devagar demais para os padrões da Transurb, com certeza, a pior concessionária de ônibus do Rio.

Obviamente, com mais bondinhos, os R$ 0,60 de tarifa do bonde que o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, alega ser um valor irrisório, vão melhorar a receita do serviço. Aliás, acho mesmo que a passagem poderia subir, mas para R$ 1,00. Só não sei porque eles precisam privatizar para subir a passagem.

Quer dizer que uma empresa do Estado não tem autonomia para aumentar o preço da passagem? Precisa privatizar para o lucro ir para bolsos particulares? O serviço de bondes pode ter equilíbrio financeiro. Basta estruturá-lo melhor, pois o custo deste transporte é baixo por já ter um investimento fixo feito. E mais, lembrem-se, recentemente houve uma reforma nas vias permanentes com dinheiro do Banco Mundial que quem pagará somos nós, mas, se privatizar, quem vai usufruir é a concessionária.

Transporte público é serviço essencial, portanto, não deveria estar sujeito às regras do mercado e a imperiosa necessidade de lucratividade. É serviço público e tem como destino final servir aos cidadãos e não encher bolsos privados.

* Débora Lerrer é jornalista e moradora de Santa Teresa

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03 de março de 2009
Categorias: Mensagens da Diretoria

Carência de Bondes é destaque na mídia

O charmoso bairro de Santa Teresa, no centro do Rio, tem seu principal cartão postal ameaçado. Os tradicionais bondinhos, que já transportaram a intelectualidade e boa parte da elite carioca nas décadas de 1930 e 1940, devem ser privatizados. Um estudo com o modelo da concessão será apresentado pela Secretaria de Transportes ainda neste primeiro semestre. Com o preço subsidiado e inúmeros problemas, o governo não vislumbra outra solução.

Nas ladeiras do bairro, a reclamação é de que o bonde não tem hora.

- A gente vê pelo barulho ou pelo balanço dos fios – afirma Rafael Fernandes, à espera de uma das três composições que ainda funcionam como antigamente, movidas a eletricidade.

Segundo o estudante, não são os esbarrões com carros e ônibus que atrasam a circulação, mas a própria falta de bondes.

A carência de composições, tombadas pelo patrimônio histórico, é o principal problema, aponta a vice-presidente da Associação de Moradores do bairro, Juçara Braga. Ela lembra que um convênio com o Banco Mundial (Bird) destinou R$ 22 milhões para a restauração de 14 composições há dois anos, mas até hoje apenas três antigos atendem moradores e turistas em duas linhas. A Associação obteve uma liminar obrigando a devolução dos bondes em 2008, mas ainda aguarda o fim do prazo da determinação.

O secretário estadual de Transportes, Julio Lopes, informa que cinco composições deveriam atender o bairro, sendo uma delas “nova em folha” – a mesma que a associação informa não ter se adaptado aos trilhos e ter sido devolvida à oficina. Ele informa que os bondes continuam sendo restaurados e que pelo menos mais uma composição será entregue no primeiro semestre deste ano.

Lopes afirma, no entanto, que o governo não pretende mais manter o sistema de bondes, que inclui também a conservação dos trilhos, das garagens, oficinas e da rede aérea de eletricidade. A alegação é de que o preço da passagem (R$ 0,60) não é suficiente para cobrir todas as despesas.

- O valor está defasado de qualquer realidade de transporte – afirma.

O secretário defende um modelo de concessão, como o aplicado para outros meios de transportes na cidade, com o objetivo de melhorar o serviço. Neste sentido, prepara um estudo sobre as condições da licitação que vai definir, por exemplo, não só o novo preço da passagem, mas o custo da manutenção do sistema, a necessidade de investimentos do governo e da iniciativa privada.

- Há muito tempo, os transportes do Rio são concessionados. Não há porque manter a operação dos bondes de Santa Teresa – afirmou. – No modelo de concessão que temos nos trens, nas barcas, no metrô e nos ônibus temos experimentando avanços no atendimento à população e na redução de custos. Há orientação do governo de seguir a mesma política.

Agência Brasil – 25/02/2009

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26 de fevereiro de 2009
Categorias: Clipping

LUTO PELO BONDE

Moradores de Santa Teresa travam queda de braço com governo estadual que insiste em privatizar os bondinhos.

Associação questiona licitação e vai entrar na justiça para que linha não seja privatizada

De nada adiantaram as reuniões, os abaixo assinados e as muitas manifestações que os moradores fizeram se mostrando contrários à privatização dos bondinhos que circulam e atendem aos moradores de Santa Teresa. O governo do Estado insiste na privatização e o único caminho encontrado pelos moradores é entrar na justiça contra a privatização dos serviços. O presidente da Associação, Paulo Saad, adiantou que os moradores estão mobilizados e dispostos a ir às últimas conseqüências contra esse desserviço que querem impor contra os moradores.

A indignação dos moradores aumentou em razão da informação de que a Secretaria Estadual de Planejamento e Transportes havia licitado os serviços da empresa francesa Sistran Engenharia para que essa formulasse um estudo de viabilidade para a concessão do serviço do transporte de passageiros do Sistema de Bondes de Santa Teresa. A informação foi publicada no Diário Oficial do último dia 25.

O caminho encontrado pelos moradores foi o de constituir um advogado que os representará. O primeiro passo será entrar com uma ação civil pública contra o Estado para que seja embargado o processo de privatização. Se de um lado os moradores se mobilizam, de outro, o Secretário de Transporte Júlio Lopes deixa claro que a privatização do sistema é algo inevitável:

- O que precisa ficar claro é que o bonde continua um patrimônio da cidade. O que as pessoas precisam entender é que não é possível o preço da passagem continuar custando R$ 0,60, o que gera uma receita insuficiente para manter esse patrimônio. Este é o primeiro passo para que os bondinhos sejam privatizados. Eles nos apresentarão um projeto que será avaliado pelo governador Sérgio Cabral e, só então, vamos licitar a operação da linha como acontece com o metrô e os trens.

Publicado no jornal Capital Cultural nº 100

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15 de agosto de 2008
Categorias: Clipping

Abaixo-assinado conta a privatização dos bondes de Santa Teresa

A AMAST está passando um abaixo-assinado contra a privatização do sistema de bondes. Já colhemos 1.700 assinaturas. O documento será encaminhado às autoridades do governo estadual. Conheça o texto:

O bonde é o meio de transporte do bairro de Santa Teresa, adequado às nossas ladeiras, cultural e ecológico

Desde o começo dos anos 1970, lutamos pela qualidade do sistema de bondes. Por duas vezes impedimos a extinção dos bondes, fruto da luta de moradores e trabalhadores. Em 2004, o governo assinou, com o Banco Mundial, um contrato de R$ 22 milhões para reformar o sistema de bondes de Santa Teresa. O acordo previa um serviço completo de restauração dos bondes. Agora, dizem que o dinheiro vai acabar antes da conclusão da obra.

A obra em curso é cara e malfeita. O atraso é interminável e não se sabe quando findará. Levaram os bondes para Três Rios para consertar e não os trouxeram de volta. Os 14 bondes novos vão custar R$ 14 milhões. Disseram que aprontavam tudo até o ano passado e nem um bonde foi entregue até hoje. Dizem que os bondes novos vão servir aos turistas e que os cidadãos cariocas vão ter que se contentar com apenas alguns bondes.

Mais uma vez, os moradores de Santa Teresa, abaixo-assinados, organizados na AMAST, vêm a público exigir respeito aos direitos coletivos e aos costumes do bairro onde moramos. Vimos afirmar nossas convicções e exigir:
· a volta imediata dos 14 bondes restaurados;
· obra de qualidade em toda via permanente;
· reforma completa na rede aérea, na garagem e oficina;
· formação de uma empresa pública para gerir com eficiência e visão social o nosso mais importante meio de transporte;
· não à privatização ? o bonde não é equipamento turístico, os visitantes são bem-vindos, mas destinação turística é exclusão social;
· todas as gratuidades devem funcionar integralmente no bonde;
· o horário de funcionamento deve ser das 5h às 24h com intervalo máximo entre as viagens de 10 minutos;
· sistema de integração do bonde com outros modais de transporte para toda a cidade com tíquete único.

Municipalização, sim ou não?

Por causa dos problemas constantes com o bonde, temos ouvido a proposta de municipalização do sistema dos bonde. Seria esta a solução? Trocar o governador pelo prefeito?
É certo que o governo estadual fez pouco pelo bonde desde 1999 após a saída do diretor Bernardo Stille, que deixou 10 bondes reformados. É certo que a Central, que também fiscaliza os trens suburbanos, acumula muitos problemas e pode ser um erro misturar a crise da ferrovia com o nosso bonde. Tentam nos convencer de que o Estado não tem a responsabilidade de transportar o povo em trajetos urbanos. Assim, o certo seria entregar ao município. Então, talvez seja o caso de municipalizar o metrô e o ramal de trens de Santa Cruz. Ambos resumem-se aos limites da cidade.

A AMAST entende que o bonde precisa de uma administração pública com autonomia orçamentária, associada a uma estrutura logística com experiência ferroviária, pautada pelo interesse público de forma a garantir o transporte por bonde com qualidade e respeito aos direitos coletivos, às gratuidades de crianças, estudantes, idosos e portadores de necessidades especiais.

A prefeitura é péssima administradora. Os ônibus, que prestam péssimo serviço à população, são (des)controlados pelo prefeito. A iluminação pública é municipal e as ruas de Santa Teresa estão sempre com grandes trechos às escuras. Os pavimentos das nossas ruas estão esburacados com paralelos soltos e, quando chove forte, é um desastre. O prefeito não cuida do patrimônio ambiental e do casario histórico. Será que, com o bonde, o administrador municipal fará diferente?

Acreditamos que não! A conclusão a que chegamos é que o melhor para o bonde é que a AMAST lute por uma nova forma de gestão pública no âmbito do governo estadual. A AMAST entende que os usuários e a sociedade civil devem participar desta nova administração dos bondes para fiscalizar a gestão e a aplicação dos recursos.

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04 de setembro de 2007
Categorias: AMAST em ação