Santa Teresa perdeu, na última sexta-feira (27/02), um de seus moradores mais ilustres e criativos: o artista plástico, ceramista e escultor José Andrade Santos, o querido Zé Andrade. Baiano de Ubaíra, mas radicado no Rio desde 1973, Zé fez de seu ateliê nas ladeiras do bairro um centro de experimentação onde uniu a tradição da cerâmica nordestina à modernidade da caricatura. Aos 74 anos, ele deixa um legado que transforma o barro em memória viva da cultura brasileira.
O artista ganhou reconhecimento nacional por suas “caricaturas em três dimensões”, esculturas minuciosas de cerca de 12 centímetros que capturavam a essência de poetas, músicos e pensadores. Entre suas obras mais emblemáticas, destacam-se os retratos de Augusto dos Anjos e Lima Barreto, peças que integravam um projeto profundo de preservação da identidade intelectual do país. Sua técnica singular, que equilibrava o humor gráfico e a sofisticação artesanal, chegou a ocupar espaços de prestígio como o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).
Além de sua produção escultórica, Zé Andrade era um entusiasta da história e da literatura, mantendo laços estreitos com a cultura de Feira de Santana e com o universo do cordel. Em Santa Teresa, era uma figura integrada à vida boêmia e artística, sendo lembrado não apenas pelo talento técnico na modelagem e pintura manual de cada peça, mas também pelo seu olhar atento e generoso sobre as figuras que moldaram a história do Brasil.
O falecimento de Zé Andrade encerra uma trajetória de mais de cinco décadas dedicada à arte popular e reabre o debate necessário sobre a valorização e preservação da memória de nossos artistas. Para os amigos e vizinhos de Santa Teresa, fica a lembrança de um homem que, através da economia de escala de suas pequenas 












