Estruturas de contenção sem conservação da Prefeitura ameaçam a vida dos moradores

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Mais uma vez, o descaso do poder público com Santa Teresa põe em risco os moradores do bairro. Em nome do turismo predatório — que a cada fim de semana atrai centenas de visitantes sem qualquer estrutura de mobilidade urbana, resultando em calçadas ocupadas, aglomerações e um trânsito caótico —, as demandas estruturais de conservação são simplesmente ignoradas. Praças, ruas, prédios históricos e muros de contenção de encostas deterioram-se enquanto os moradores tornam-se reféns do caos.

Um exemplo crítico é o muro de contenção em frente ao Hotel Santa Teresa MGallery (antigo Hotel dos Descasados). As paredes naquela área atuam como estruturas essenciais para a estabilização de terrenos íngremes. Trata-se de uma contenção vital para a segurança de moradores, hóspedes, passageiros dos bondes e ônibus, além de motoristas que utilizam esse trecho da Rua Almirante Alexandrino, que se deteriora a cada dia.

Histórico de negligência
A instabilidade da estrutura não é recente. Em dezembro de 2025, entre os dias 17 e 23, houve queda de reboco dos muros na pista. A ação da Prefeitura, na ocasião, foi meramente paliativa: a Comlurb realizou a poda de árvores incrustadas para aliviar o peso, mas nem sequer as raízes presas às paredes foram removidas. Como o problema é estrutural e decorre da falta de conservação, a medida não resolveu o risco.

Durante aquela ação, a Defesa Civil realizou uma vistoria e solicitou providências urgentes (Boletim de Ocorrência nº 10348/25). O diagnóstico técnico confirmou o desplacamento do revestimento de concreto em um muro de pedras argamassadas com cerca de 7 metros de altura.

As providências solicitadas incluíam:

Geo Rio: Medidas para eliminar o risco de queda de placas e avaliação da estabilidade do talude.

Comlurb: Remoção de árvores cujas raízes potencializam a destruição do muro.

Companhia de Bondes: Interrupção do tráfego entre o Largo dos Guimarães e a estação Dois Irmãos.

CET-Rio: Reordenamento do trânsito pela Rua do Aqueduto.

Basta de descaso
De todas as orientações da Defesa Civil, a mais importante — destinada à Geo Rio — simplesmente não saiu do papel. Como mostra o vídeo enviado por um morador à AMAST, as paredes continuam em flagrante deterioração. É um desrespeito inaceitável com a vida de quem circula por Santa Teresa.

A AMAST cobra posicionamento imediato da Geo Rio e da Secretaria Municipal de Conservação. Formalizaremos ofícios a esses órgãos, bem como à Gerência Executiva Local (GEL) e à Subprefeitura do Centro, exigindo que a segurança do nosso bairro deixe de ser tratada como última prioridade.

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