Santa Teresa não é cenário: o desvio histórico do Bafo da Onça e o descaso da prefeitura

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Santa Teresa não é cenário: o desvio histórico do Bafo da Onça e o descaso da prefeitura

A preservação de um bairro passa, obrigatoriamente, pelo respeito à sua história e à sua capacidade de suporte. Recentemente, o jornal O Globo noticiou a mudança do desfile do tradicional bloco Bafo da Onça para as ruas de Santa Teresa, em comemoração aos seus 70 anos. Embora o bloco tenha uma importância inquestionável para o carnaval carioca, sua vinda para o nosso bairro é um erro histórico e urbanístico que a AMAST não pode calar.

Um bloco sem raízes no bairro
Diferente do que sugere a logística de eventos da cidade, o Bafo da Onça não possui aderência histórica com Santa Teresa. Sua origem e seu território afetivo estão fincados entre Catumbi e Praça Onze, o berço do samba carioca.

Transportar um bloco desse porte e com essa identidade para as ladeiras estreitas de Santa Teresa é ignorar a história de ambas as partes. Santa Teresa possui suas próprias tradições e blocos que nasceram aqui, cresceram com a comunidade e entendem a fragilidade geográfica e social do bairro.

O absurdo da anuência da prefeitura
É inadmissível que a Prefeitura do Rio de Janeiro autorize a transferência de desfiles de grande porte para um bairro que já sofre diariamente com o trânsito caótico, a ocupação irregular de calçadas e o excesso de ruído.

Falta de logística: Nossas ruas não comportam o fluxo de foliões que blocos tradicionais como o Bafo da Onça atraem.

Desrespeito ao morador: Decisões como essa são tomadas sem consultar quem vive aqui, transformando o bairro em um mero cenário de eventos, sem qualquer contrapartida para a qualidade de vida local.

Descaracterização cultural: Forçar a entrada de um bloco da Praça Onze em Santa Teresa é uma forma de “turistificação” predatória que desvaloriza as raízes do próprio bloco e a identidade do nosso bairro.

A Amast em defesa de Santa Teresa
A AMAST reafirma seu posicionamento: carnaval se faz com respeito à vizinhança e à história. Não aceitaremos passivamente que Santa Teresa seja tratada como um espaço de eventos genérico. Exigimos que a Prefeitura respeite o zoneamento cultural da cidade e pare de sufocar o nosso bairro com decisões arbitrárias.

Santa Teresa resiste. Pelo respeito à nossa história e pelo direito ao sossego!

Link da materia do Jornal O Globo

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