Pela terceira vez em seis anos, reportagem do RJ TV flagra o abandono do transporte no bairro; moradores denunciam que prazos da Secretaria de Transportes não saem do papel, mesmo assim prefeitura não se manifesta
O cenário em Santa Teresa é de um “déjà vu” amargo. O que se vê nas ladeiras do bairro não é apenas um problema de logística, mas o reflexo de um descaso sistemático. Pela terceira vez — com registros em 2020, 2022 e agora em 2026 — o transporte público volta às manchetes como uma ferida aberta que a Prefeitura do Rio não consegue, ou não quer, cicatrizar.
O Histórico da Ineficiência
As queixas que ecoam hoje nos pontos de ônibus são as mesmas de anos atrás: frotas reduzidas, veículos sucateados e um cronograma que ignora a vida de quem trabalha e estuda. No entanto, o agravante atual é a Linha 014. O que era para ser uma conexão com o Centro tornou-se um labirinto de espera.
A alteração do itinerário para a Central do Brasil, feita em janeiro, é apontada pelos moradores como o “golpe de misericórdia” na mobilidade local. O trajeto triplicou de tempo, enquanto o número de veículos permaneceu o mesmo: apenas dois micro-ônibus para dar conta de todo o bairro.
A Presença Constante da Reportagem vs. A Ausência do Poder Público
A equipe de reportagem tornou-se figura carimbada no bairro, documentando a mesma agonia desde 2020. A cada nova matéria, o ciclo se repete:
O Flagrante: Ônibus lotados e moradores subindo ladeiras a pé com sacolas de compras.
A Resposta Oficial: A Prefeitura emite notas afirmando que “monitora a demanda” e promete melhorias para o “próximo mês”.
O Desfecho: O próximo mês chega, mas os ônibus novos, não.
Essa “gestão por promessa” esgotou a paciência da comunidade. “Ninguém avisou a gente, ficamos sabendo das mudanças por grupos de WhatsApp”, desabafa uma moradora, evidenciando que, além da falta de ônibus, falta transparência.
Mobilização: Quando o Morador Vira Fiscal
Sem o apoio do Estado, Santa Teresa se autogestiona. O grupo de monitoramento criado pelos vizinhos já ultrapassa 400 membros e um abaixo-assinado online reúne mais de 600 assinaturas exigindo providências.
A reivindicação agora é drástica: se a prefeitura e os consórcios não conseguem operar o serviço básico, a Associação de Moradores exige a implementação de transporte complementar (vans) como única saída viável para romper o monopólio da ineficiência.
O Próximo Round
A Secretaria Municipal de Transportes mais uma vez prometeu ampliar o número de viagens a partir do próximo mês. Para o morador de Santa Teresa, no entanto, a nota oficial tem o peso de um papel em branco. Enquanto o “próximo mês” não chega, o bairro segue em marcha lenta, ou melhor, a pé, subindo as ladeiras que o transporte público decidiu abandonar.








