Enquanto cidades globais redescobrem a eficiência e a sustentabilidade do transporte sobre trilhos, o Rio de Janeiro mantém o sistema de Santa Teresa quase como uma relíquia isolada. Recentemente, uma reportagem detalhada no portal Click Petróleo e Gás, escrita pela jornalista Carla Teles, trouxe uma reflexão necessária sobre o desmonte da malha ferroviária urbana no Brasil em contraste com o que acontece em outros lugares do mundo, como Lisboa.
O texto destaca como a capital portuguesa seguiu um caminho de integração e modernização, mantendo 58 “elétricos” (como são chamados os bondes por lá) em pleno funcionamento. Lá, o transporte não é apenas uma atração turística, mas um componente vital da mobilidade urbana que conecta a cidade de forma ecológica e eficiente.
Aqui, o nosso querido Bonde de Santa Teresa resiste como o último de sua espécie. O que antes era uma rede que abraçava diversos bairros da capital fluminense, hoje está reduzido a um trajeto que, embora icônico, sofre com a falta de uma visão estratégica de expansão e integração real ao sistema de transporte de massa da cidade.
O artigo de Carla Teles recorda que o Brasil chegou a ter uma rede de trilhos invejável, que foi progressivamente desmantelada para dar lugar ao rodoviarismo. Santa Teresa, ao resistir a esse processo, prova que o bonde é viável, querido pela população e essencial para a identidade carioca. No entanto, a resistência de Santa Teresa não deve ser vista como o fim de uma era, mas sim como um exemplo do que poderíamos recuperar.
Para a AMAST e para todos os moradores do bairro, o bonde é mais do que um símbolo: é um direito à cidade. É preciso olhar para exemplos internacionais para entender que o futuro da mobilidade urbana passa, obrigatoriamente, pelos trilhos, pela sustentabilidade e pelo respeito à memória ferroviária.
Preservar o bonde é lutar por um Rio mais inteligente e humano.








